O “tempo” não é o problema

DormirComputador IsiblogNovos resultados sobre jovens e uso excessivo da internet

Passar muito tempo online não é necessariamente um sinal de que um jovem tem problemas relacionados com o uso da internet. Esta é uma das principais conclusões do novo relatório da rede de investigação EU Kids Online que se debruçou sobre o uso excessivo da internet entre jovens dos 11 aos 16 anos na Europa.

Os resultados mostram como a maioria dos jovens gerem bem o uso da internet; os jovens que são mais vulneráveis ao uso excessivo da internet e às suas consequências negativas são os que são mais velhos, com problemas emocionais e aqueles que níveis elevados de procura de sensações.

A internet tornou-se uma parte integrante das vidas de crianças e jovens. Em Portugal, 54% das crianças e jovens anos usam a internet diariamente ou quase. O tempo crescente que os adolescentes passam online está a levantar questões sobre se estão a controlar o seu uso da internet. O projecto EU Kids Online perguntou portanto aos jovens com idades entre os 11 e os 16 anos com que frequência sentiam sinais de uso excessivo, como não dormir ou comer, não fazer os trabalhos de casa ou socializar devido ao tempo passado online, ou ter tentado passar menos tempo online.

 

Os dados do EU Kids Online sugerem que apenas 1% das crianças europeias teve a experiência de todos os cinco factores relacionados com uso excessivo da internet e estão portanto em risco de níveis patológicos. As crianças que se identificam como tendo sentido vários sinais de uso excessivo também indicam que enfrentam desafios psicológicos e emocionais que têm impacto no seu comportamento online e offline.

A percentagem de crianças que respondeu ter tido pelo menos um dos itens relacionados com uso excessivo da internet varia de 17% na Itália para 49% na Estónia, seguido de Portugal, onde 45% as crianças declararam ter sentido pelo menos um desses sinais. O relatório demonstra como os jovens tendem a reportar mais que já se encontraram a navegar na internet sem estarem realmente interessados – 42% tiveram esta experiência alguma vez; e menos que tenham deixado de comer ou dormir por causa da internet – apenas 17% relataram esta experiência.

Cristina Ponte, coordenadora nacional do projecto EU Kids Online e professora da Universidade Nova de Lisboa, explica: “O caso de Portugal mostra que não é por se passar muito ou pouco tempo em frente ao computador que se pode entrar num contexto de uso excessivo. A internet veio também ocupar, em parte, o espaço que antes era da televisão: uma forma de passar os tempos mortos, sem que isto seja indicador de algo problemático. É preciso uma atenção específica aos factores sociais e culturais para se compreender de onde vem este «uso excessivo».”

Uso excessivo e ‘adição da internet’: o que devem fazer os pais?

Em termos de prevenção do uso excessivo de internet, o projecto EU Kids Online recomenda que os pais se envolvam activamente nas actividades online dos seus filhos através de apoio e diálogo, especialmente, mas não só, quando uma criança se sentiu incomodada por algo online.

A manutenção de vias abertas de comunicação entre pais, educadores e jovens tem mostrado mais resultados do que a simples restrição do número de horas ou dias que se podem passar em frente ao computador. Um uso mais raro pode ser tão problemático quanto um uso mais frequente, e afasta os jovens das oportunidades que as novas tecnologias também fornecem. Nos casos em que os jovens passam por uma situação de risco, é fundamental que sintam que podem contar com os seus pais para lhes fornecer apoio e auxílio.

Outros resultados:

§ Os resultados do EU Kids Online sugerem que as estratégias protectoras começam fora da internet e numa idade precoce, tendo atenção a características psicológicas das crianças como procura de sensações e problemas emocionais.

§ É importante notar que restringir o tempo que os jovens passam online não é a melhor forma de lidar com o uso excessivo da internet, já que ignora as causas desse comportamento.

§ No Chipre, os jovens mostraram mais probabilidade de ter tido esta experiência em todos dos cinco indicadores medidos (5% das crianças declararam ter sentido os cinco indicadores).

§ Se o jovem já tem experiência de uso excessivo da internet, que é normalmente demonstrada por todos os componentes de comportamento identificados acima, recomendamos que os pais procurem ajuda junto de profissionais relevantes, como psicólogos clínicos ou educacionais, conselheiros escolares, que os possam ajudar a resolver os problemas offline que a criança provavelmente atravessa.

Para mais informação:

O relatório “Excessive Internet Use among European Children” foca o uso excessivo da internet por crianças e jovens europeus e as diferenças que existem entre os países. O estudo é uma análise em profundidade de 19.834 jovens europeus com idades entre os 11 e 16 anos em 25 países europeus que têm um ou mais indicadores de uso excessivo.

Para o relatório completo Excessive Internet Use among European Children, de David Smahel, Ellen Helsper, Lelia Green, Veronika Kalmus, Lukas Blinka e Kjartan Ólafsson, aceda a

http://www2.lse.ac.uk/media@lse/research/EUKidsOnline/EU%20Kids%20III/Reports/ExcessiveUse.pdf

Em Portugal, contacte: Daniel Cardoso, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Ou consulte www.eukidsonline.net

Informação sobre o projecto e o inquérito:

O projecto EU Kids Online pretende aumentar o conhecimento das experiências e práticas das crianças e pais europeus no que toca ao risco e à utilização segura da internet e das novas tecnologias online, e assim ajudar a contextualizar a promoção de um ambiente online mais seguro para as crianças. O projecto é financiado pelo Programa EC Safer Internet (SI-2010-TN-4201001).

O EU Kids Online conduziu em 2010 um inquérito face-a-face, em casa, a 25000 crianças e jovens entre 9 e 16 anos e os seus pais em 25 países, usando uma amostra aleatória estratificada e métodos de auto-preenchimento para questões sensíveis.

Os países incluídos no inquérito são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia, Suécia, Turquia. Além disso, o projecto inclui equipas de: Croácia, Eslováquia, Islândia, Letónia, Luxemburgo, Malta, Rússia e Suíça.

08.11.2012

EU Kids Online III, Universidade Nova de Lisboa

http://www.fcsh.unl.pt/eukidsonline/

[foto: Isiblog]

 

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