ABC do Bullying, para jovens e não só

BullyingO ABC do Bullying apresenta, com palavras simples, questões importantes para todos refletirem. Pode ser um auxiliar nos trabalhos de escola, para ajudar os alunos a compreender melhor o que é isso do BULLYING - um problema que é de todos mas que é nosso também!

A – ANGÚSTIA: Talvez um dos primeiros sinais de que a coisa não está bem. Quando vais para a escola e te sentes angustiado já é um alerta para abrir os olhos e pedir ajuda.
Podes estar angustiado por temer o que acontecerá na escola, ou então angustiado por culpa. Sim, não pensem que os alunos que agridem os colegas se sentem mesmo uns queridos por causa disso. Consciência deles também pesa, só que não mostram. Ao invés de esconder esse sentimento procurem entender de onde ele vem, e busquem ajuda para resolver o problema. Então, para início de conversa, a angústia é um sinal de que algo não vai bem.

 

B – BULLY/ BULLYING: Bully é a palavra inglesa que deu origem ao termo bullying. Bully seria o valentão, quem comete as agressões/humilhações.
Tais ações cometidas por ele são o bullying. Por ser palavra estrangeira nem todos sabem qual a pronúncia correta. É bem simples na verdade, tal como se escreve: búlin (sem o som de “g” no fim da palavra).
Um dos maiores perigos e menos falados é o suicídio motivado pelo bullying. É algo sério que não acontece apenas com crianças e adolescentes – os adultos também correm esse risco. Este é mais um motivo para o bullying ser levado a sério nas escolas.

C – CYBERBULLYING: Traduzindo seria o bullying virtual, através de telemóveis e redes sociais. E acontece mais do que muita gente imagina. Tem de tudo: comunidades e perfis falsos no Facebook e similares, criação de blogs para denegrir a imagem e escrever comentários maldosos. Invadem também SMS, email, colocam vídeos no You Tube… É tão perigoso quanto o bullying escolar. Se a pessoa sofre na escola e nem no computador encontra paz, podem ter certeza que o desespero aumenta. Por isso, usem a internet com juízo, responsabilidade!

D – DEPRESSÃO: Uma das consequências mais frequentes do bullying é a depressão. Depressão que pode se manifestar das mais diversas formas: tristeza, apatia, agressividade, etc. Essa depressão se agrava com o silêncio. Ela surge com os atos que ocorrem na escola, algumas vezes somados a outros problemas (doença na família, desemprego, separação dos pais, violência doméstica, maus-tratos), e vai aumentando com o silêncio.

E – EXCLUSÃO: Outra coisa bem comum no bullying, talvez uma das partes mais dolorosas, é a exclusão. Pensem bem o que é para uma criança ou um adolescente ir para a escola, um ambiente onde, pelo menos teoricamente, se vai para aprender e fazer amizades, e ficar sempre sozinho. Nada justifica exclusão.

F – FAMÍLIA: Geralmente é a última a saber. E não pretendemos culpar os pais. Há gente que tem essa mania da culpabilização, sem antes tentar compreender as situações.
Os pais são os últimos a saber porque os filhos tentam esconder ao máximo o que acontece. E como todos sabem que a adolescência é uma fase complicada, os pais acabam achando que a tristeza/agressividade são coisas da idade.
Aos pais dizemos que têm de estar atentos a estes sinais e conversarem com os seus filhos. Aos jovens dizemos que os pais precisam saber o que acontece, para poderem a resolver os problemas, nomeadamente, se for caso disso, junto da direção da escola.

G – GENTILEZA: Palavrinha pouco usada hoje em dia, não é? Mas uma palavra que representa uma qualidade bem nobre. A malta gosta de dizer palavrão, fazer umas brincadeiras entre amigos de gosto um tanto duvidoso, mas gentileza é fundamental. É ter educação, resumindo de forma bem simples: É oferecer ajuda a alguém que precisa, não empurrar na fila no refeitório, etc. Coisas simples mas de extremo valor… e que os alvos de bullying adorariam receber, gentileza dos colegas.

H – HUMANIDADE: Bullying é uma questão de humanidade, afinal, somos humanos. Humanos são seres conscientes, ou pelo menos deveriam ser. E o que vemos às vezes nas escolas é uma total falta de humanidade. Escola em primeiro lugar lida com pessoas. Antes de lidar com matérias, lida com pessoas. Se dessem ao bullying e às demais questões humanas a mesma atenção que dão, por exemplo, às metas curriculares e aos exames, a situação seria bem diferente!

I – INSEGURANÇA: Adolescentes são inseguros por natureza, cada um da sua maneira: uns vestem a máscara de “sou o bom”. Sim, muita gente compra a ideia e ainda aplaudem todos os seus atos. Mas “aplaudem” também pela insegurança de que se não aplaudirem virarão motivo de piada. E há os adolescentes que não curtem fingimento, são mais tímidos…inseguros? Sim, e quem não é? E acabam aturando muito desaforo por conta da insegurança mal resolvida de alguns colegas. Vê-se muito os jovens divididos em grupos e grupinhos. Mas cá, entre nós, no fundo no fundo todos são bem mais parecidos do que ousariam assumir. Por isso, é muito negativo discriminar, excluir.

J – JUSTIÇA: Que humilhar alguém é injusto nem é preciso dizer. Já é bem óbvio! Mas quem humilha não pode ficar impune, tem de ser responsabilizado. Nos casos de cyberbullying denunciar na polícia também é fundamental. As pessoas e as instituições de ensino têm responsabilidades e devem agir de acordo com elas, para que as vítimas não fiquem desprotegidas.

L – LEMBRANÇAS: O que vivemos na escola pode-nos marcar para o resto da vida. E podemos mudar o rumo dessa história? Ser infeliz na escola não significa que o resto da vida será um tormento. Podemos viver com as nossas lembranças de forma que a elas não nos magoem – o que pode não ser fácil, mas é possível!

M- MACHUCADOS: A primeira ferida ocorre por dentro, na autoestima. Algumas pessoas transferem essas feridas para se machucarem fisicamente: cortam-se para “aliviar a dor”. Como se com uma dor física pudessem esquecer, mesmo que por um momento, o sofrimento interior. Quando sentir que se quer cortar, ao invés disso coloque no papel esse sentimento… escrevendo, rabiscando, e jogue fora. Nem é preciso dizer que se chegaram nesse ponto está mais do que na hora de pedir ajuda, não é? E um alerta para todos. Já viu um seu amigo com uns cortes estranhos? Ele anda mais calado e tal? Sinais de alertaaaaaa! Altas doses de ombro amigo, gente! Isso salva vidas!

N- NOÇÃO: Noção de responsabilidade, do perigo que pode ser colocar um apelido maldoso, bater, perseguir um colega todo santo dia. Noção de que vivemos em sociedade e todo o mundo merece seu espaço, que ninguém é mais que ninguém. As pessoas às vezes agem na onda, sem pensar… e acabam tomando atitudes completamente sem noção. E essa falta de noção às vezes resulta em coisas bem graves.

O- OMBRO AMIGO: É o que pode literalmente salvar os chamados “casos perdidos”, jovens e adultos que se sentem perdidos e não enxergam mais razões para continuar vivendo. Ao invés de deixar o colega de lado, sozinho, converse com ele! De certeza que se surpreenderão e formarão uma amizade sincera que durará talvez pela vida inteira.

P- PREVENÇÃO: As escolas não precisam esperar acontecer, esperar um pai vir reclamar à diretora de turma para tomar atitudes. A melhor forma de combater o bullying é prevenir para que o mesmo não aconteça. E como se faz isso? EIF - Esclarecer Informar Formar. E não é só agir com os alunos, não! Mas também com professores, funcionários em geral, pais, comunidade… motivando esse pessoal todo a cuidar mais as normas e atitudes.

Q- QUANTIDADE x QUALIDADE: Alguns alunos preferem ter muitos amigos a terem poucas amizades, como se quantidade garantisse status. Bom, um dia a escola acaba e a máscara cai, e essa malta vê que não tinha amigos de verdade. Como entender este conceito? O despeito pelo sentimento de uma amizade não partilhada, ou traída, pode gerar graves conflitos, físicos ou psíquicos.

R- RISOS: Os risos ouvidos repetidamente por uma criança, a quem os mesmos são dirigidos, dia após dia destroem qualquer restinho de autoestima que a mesma tente manter. A turma, no seu conjunto, ri por medo, e não defendem o colega para não se tornarem também alvos de humilhações. As crianças têm de aprenderem a respeitarem-se, a entenderem que não devem fazer aos outros aquilo que não gostariam que lhes fizessem a si próprias.

S- SILÊNCIO: Silêncio é o veneno que a maioria dos alvos de bullying compartilham. Por medo e vergonha ficamos calados. Não reagimos na escola e nem contamos em casa. Ninguém é de ferro, e engolir tanto sofrimento não faz bem. Vergonha, no entanto, é a escola deixar acontecer. Peça ajuda! O silêncio só prolonga a dor.

T- TRATAMENTO: Em casos mais sérios não basta apenas o apoio da família. O que se recomenda é tentar primeiro a combinação de duas coisas: terapia com psicólogo e algum curso fora da escola (música, desenho, teatro, etc.).

U- UNIÃO: Isso mesmo... união é importantíssimo! União entre os colegas da turma, entre colegas e professores, entre professores e pais. Não adianta só uma professora querer trabalhar o bullying se os outros não estão nem aí virados e os pais nem sonham que a palavra bullying existe. E destacar aqui a união entre os estudantes. Vocês podem mais do que imaginam. Ao invés de se acomodarem, rir da desgraça alheia, unam-se para mudar isso!

V- VERGONHA: Um dos motivos do pessoal não pedir ajuda é a vergonha. A situação na escola é um constrangimento, mas ninguém se deve envergonhar disso. Não é sua culpa. Com essa vergonha só vai aumentar o seu silêncio, e com ele a dor. Vamos quebrar esse ciclo medonho, gente! E vergonha é a escola ver isso rolar e deixar, fingir que nada acontece. Se não tiverem coragem de contar em casa, peçam ajuda de um amigo ou outro parente, mas os pais precisam saber… até a psicóloga nessa hora é uma boa ajuda! E se agrediu um colega e se envergonha do que fez, olha, o seu maior ato de caráter seria pedir desculpas. Se acha que não consegue, vá aos poucos tentando se aproximar desse colega, ou pelo menos passa a tratá-lo melhor.

X- XINGAR: Dirigir a alguém insultos, injuriar, fazer troça. Na escola, xingar de forma repetitiva, é bullying.

Z- ZOAÇÃO: Bom, zoação (sinónimo de gozação, falar em tom agressivo) tem dois sentidos. Um é o gozo entre amigos, pessoal a brincar, todos a divertirem-se. Muito saudável isso, sem problemas! Há quem considere bullying uma forma de gozo… só que esse tipo de “zoação”, na verdade, é uma “maldição” para quem é alvo. Brincar é quando todos se riem. E rir é saudável.

 

Adaptação da FERSAP de ABC do Bullying , em: <http://nomorebullying.zip.net/>

 

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